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Gin do Ribatejo destila prata e bronze para Portugal na prestigiada “International Wine & Spirit Competition”

Gotik, o primeiro gin ribatejano, conquistou para Portugal a medalha de prata, na categoria de London Dry 40%, e outra de bronze, no concurso dedicado ao Gin & Tonic, durante a 48.ª edição da “International Wine & Spirit Competition”, que decorre em Londres. A destilaria (de autor) produtora, a MVP Gin, admite que o galardão pode vir a acelerar a estratégia de crescimento e internacionalização traçada para a empresa, sediada em Santarém.

Se, há sete meses, no engarrafamento da primeira garrafa de Gotik a sair oficialmente para o mercado, dissessem a Gonçalo Pereira, gerente e um dos cinco sócios da MVP Gin, que a marca iria ser distinguida mundialmente no primeiro ano de destilação e logo por uma competição de topo do setor, ele esboçaria um sorriso revelador e largaria um humilde «acho difícil, mas não impossível!…»

E eis que a londrina “International Wine & Spirit Competition”, considerada uma das mais conceituadas competições mundiais do seu género, o acabou de fazer na 48.ª edição… e em dose dupla. «É, no fundo, a valorização da ideia que seguimos: criar um gin nacional com identidade e carisma regional, de categoria Ultra Premium, e a pensar no consumidor mais exigente e conhecedor», enfatiza o empresário.

Com a prata a premiar o London Dry (40%) que a MVP Gin destila, e o bronze a distinguir o caráter da bebida para um Gin & Tonic de classe premium, Gonçalo Pereira acredita que as metas estratégicas delineadas, tanto no patamar produtivo geral (de curto e médio prazos) como na componente de exportação, «podem vir a conhecer uma aceleração», fruto da «notoriedade que o IWSC granjeia entre os profissionais do setor e no mercado global».

Os prémios conferidos pelo evento, sublinhe-se, estão entre as mais altas honras que um produto pode conquistar na indústria de bebidas vínicas e espirituosas. Os candidatos passam por dois níveis de avaliação: primeiro, os produtos são submetidos a uma prova-cega e selecionados pelo palato de mais de 300 especialistas; numa segunda ronda, os medalhados são sujeitos a análises técnicas (químicas), antes do anúncio oficial dos resultados – uma etapa crucial que assegura a validação total e final dos vencedores.

O jantar de gala e a cerimónia de entrega de entrega dos prémios da IWSC 2017 acontecerão em 15 de novembro próximo, em Guildhall, o palácio cerimonial e administrativo da cidade de Londres.

Exemplo de empreendedorismo regional

a pensar à escala global

A MVP Gin é uma das últimas destilarias portuguesas e um exemplo de empreendedorismo luso na área alimentar, isto numa região que muitos veem como o celeiro de Portugal. A Escola Superior Agrária de Santarém foi uma das colaboradoras no desenvolvimento do gin Gotik, o primeiro do Ribatejo, que tem neste momento duas edições no mercado (a Christmas Edition e a Santa Clara Edition).

Nas suas sete destilações, em alambique de cobre, entram aromáticas especialmente selecionadas e características das terras escalabitanas. O modo de produção ancestral de extração de aromas para a produção da bebida foi um dos pontos de honra da marca.

São 21 os botânicos presentes (alguns produzidos pela empresa). Entre eles encontram-se o zimbro português e a abóbora-manteiga, para além de sementes de coentros, pimenta-rosa, cardamomo, noz, tomate, framboesa, amora, morango, erva de São Roberto, hipericão, orégãos, tília, rosmaninho, alecrim, tomilho, flor de laranjeira, limão, tangerina e canela.

Apesar da alma ribatejana que se sente no néctar cristalino, que o paladar mais educado deteta intenso, estruturado e até exuberante, o Gotik é um produto vocacionado para a exportação, dirigido ao mercado profissional e conhecedor de gin não contemporâneo.

Depois de ter efetuado um «grande investimento» promocional no Reino Unido, entre Dezembro e Fevereiro últimos, a MVP Gin começou entretanto a ter um retorno «bem sucedido», segundo Gonçalo Pereira. Holanda, Bélgica, Polónia e Angola estão igualmente na rota de expansão. Mas a insígnia não quer ficar por aqui externamente. Em Portugal, continua também a alargar a sua rede de distribuição.

Antes dos dois prémios da “International Wine & Spirit Competition”, a destilaria ribatejana esperava finalizar o ano com uma produção total de 5.000 garrafas. Para 2018 eram apontadas 10.000 unidades e duas novas edições: um gin tipo Casked Age e ainda um outro destilado, para juntar ao atual London Dry. A médio prazo, a projeção era de 30 mil garrafas anuais e a criação de três novas insígnias, para produzir com a marca do cliente».

E agora? O pragmático produtor e gestor diz que «é só persistir no trabalho e… esperar para ver». E, seguramente, continuar a provar…

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