A Casa do Brasil, em Santarém, recebeu, no passado dia 6, a Conferência subordinada ao tema “O Papel das Mulheres na Política”.
Tiago Leite, Director distrital da Segurança Social de Santarém, foi o moderador da conferência.
Catarina Araújo, Chefe de Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Economia, foi a primeira a falar da sua experiência pessoal no mundo da política. Catarina Araújo diz-se «alérgica» às quotas e medidas impositivas às mulheres. Devem existir sim, segundo ela, medidas de estímulo de forma a perceber a realidade e perceber qual o papel das mulheres, criando condições de facilitação. “Profissionalmente, comecei sempre num mundo de homens. Quando acabei a minha licenciatura de Direito, tive uma experiência profissional muito engraçada numa Associação de industriais de Construção Civil e Obras Públicas. Para além das duas secretárias, eu era a única mulher. Tive algumas histórias engraçadas e interessantes. Tínhamos uma parte de muito contacto com o público e fui várias vezes recusada porque, quando eu chegava com o meu dossier, queriam abordar uma questão e diziam-me «Peço imensa desculpa mas, se não se importasse, eu queria falar com um homem» ou «Desculpe, minha senhora, mas estou à espera do advogado.» Claro que dizia logo que era eu” (risos), recordou.
Para Cecília Meireles, Deputada e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS, “as quotas, para as mulheres, são a discussão eterna no parlamento, precisamente porque toda a gente percebe que a sociedade é constituída por homens e mulheres, mais ou menos em igual número, e aquilo que é normal é que as áreas sejam mais ou menos paritárias”. Sobre a sua experiência pessoal na política “não senti discriminação nem senti que alguma coisa me era proibida, ou prejudicada, por ser mulher. Tirando episódios caricaturais, é obvio que as mulheres são tratadas de forma diferente”, concluiu. Cecília Meireles recorda uma situação que viveu: “Lembro-me, quando fui eleita deputada em 2009, houve autárquicas logo a seguir. Nós fomos a uma acção de campanha, que era um comício numa Junta de Freguesia de um concelho do interior do distrito do Porto, e o candidato queria que o presidente da distrital falasse. O presidente da distrital não estava com muita vontade e dizia «Não, mas está aqui a Cecília que foi eleita deputada e ela é mesmo do nosso distrito. Fala ela». E ele, que era um velhinho, dizia «Não, não. A menina pode ser a speaker, mas depois o Sr. Dr. fala» (risos) Foram episódios que tentei sempre levar com algum humor porque, na minha opinião, as mulheres, às vezes, têm de provar o que valem e têm de mostrar o seu valor. Às vezes, com algum humor e com alguma autoridade, consegue-se dar a volta à situação. Entre 2009 e 2011, na Comissão de Orçamento e Finanças, existiam só duas mulheres: a Assunção Cristas e eu. Apesar disso, nunca senti que nos tratassem de forma diferente”. Segundo Cecília Meireles “o CDS, durante muito tempo, deu muitas oportunidades às mulheres. É um partido em que, naturalmente, as mulheres foram assumindo um papel e um lugar absolutamente natural.” Para a Deputada e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS, “os problemas e as mentalidades das pessoas não se resolvem com decretos. Mudam-se com experiências diferentes e não é por acaso que temos atrás a imagem da Margaret Thatcher que estava numa área, na altura dela, iminentemente masculina: ela não tinha uma imagem pública de uma mulher doce ou maternal. Era a Dama de ferro e conseguiu ser Primeira-Ministra do Reino Unido durante muito tempo. Ainda hoje é um ícone. Para muitas pessoas é uma referência, como para mim”, concluiu.
Mariana Ribeiro Ferreira, Presidente do Instituto da Segurança Social, não entrou em nenhuma juventude partidária apesar da política estar sempre presente na sua vida.” Percebi, desde muito cedo, que era falando de política, e podendo ajudar quem estava na política, que conseguíamos mudar a sociedade, que conseguíamos fazer melhor pelo nosso país”, disse. O primeiro contacto directo com a política aconteceu em 1997, quando a convidaram para participar numa campanha autárquica do seu concelho, em Cascais. “A partir daqui as coisas foram evoluindo naturalmente e fui trabalhar logo directamente com o presidente do partido, quando foi eleito em 1998. Nunca senti nenhuma discriminação por ser mulher. Senti sempre pela idade. Era difícil afirmar-me só por causa da idade.” Na opinião de Mariana Ribeiro Ferreira “a intervenção da mulher é tão útil e eficaz quanto a do homem, mas não podemos é esquecer as referências que nós trazemos da nossa família e as referências que a sociedade tem. Aquilo que podemos fazer para acabar com o estigma das mulheres na área da construção civil, por exemplo, é o nosso papel enquanto mães e enquanto educadoras, porque são as mulheres que educam os homens. São as mulheres que passam as referências e os valores aos homens. Se enquanto mães educarmos todos da mesma forma, eu acho que a sociedade vai evoluir. É nesta transmissão de valores e de referências que vamos conseguir promover a igualdade de oportunidades”, proferiu.
Vânia Dias da Silva, Sub-Secretária de Estado Adjunta, falou também da sua experiência pessoal. “A verdade é que eu nunca senti, senão em episódios pontuais, nenhuma diferença por ser mulher. Senti, às vezes, pela idade. Fui advogada alguns anos e muitas vezes diziam «A menina isto, a menina aquilo». Achavam que não podia ser senhora Dra. por ser muito nova. Tive alguns episódios em que alguns clientes diziam que queriam falar com o meu patrono: «A menina não deve saber nada». Mas, muitas vezes, era por causa da tenra idade e qualquer um de nós, se for ao médico, e vir um médico muito novinho tende a achar que o médico muito novinho não sabe nada. Não é verdade?”, questionou.
O debate, organizado pela Comissão Política da Concelhia do CDS-PP de Santarém, terminou com questões colocadas por algumas das pessoas presentes.
Vânia Cláudio

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