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VII Festival de Estátuas Vivas de Santarém enche ruas e corações

 

Agosto, estátuas vivas e uma cidade cheia de gente: uma combinação que já provou ser um sucesso e que voltou a repetir-se nos dias 7, 8 e 9 de agosto.

Durante três dias, o Centro Histórico de Santarém voltou a ser palco de um daqueles acontecimentos que fazem a cidade parecer outra. Entre ruas, largos e recantos, antigas profissões ganharam corpo, expressão e movimento, enquanto milhares de pessoas percorriam o centro à procura da próxima estátua, do próximo detalhe ou daquele pequeno movimento que denunciava que, afinal, aquela figura imóvel tinha vida.

Na sua sétima edição, o Festival de Estátuas Vivas, integrado na programação do iN.Santarém, teve como tema “Profissões Antigas”. Cerca de duas dezenas de artistas deram vida a personagens inspiradas em ofícios tradicionais e em figuras ligadas à identidade portuguesa e ribatejana.

Campinos, lavadeiras, sapateiros, carpinteiros, barbeiros, ceifeiras, cesteiros, merceeiros, aguadeiros, resineiros e jornaleiros fizeram parte deste regresso ao passado. Não através de fotografias ou objetos guardados num museu, mas ali mesmo, no meio da rua, diante de quem passava. E foi precisamente essa proximidade que voltou a marcar o festival.

As crianças foram das mais atentas. Entre a expectativa e a surpresa, aproximavam-se das estátuas à procura de um deslize, de um piscar de olhos ou de qualquer outro movimento que revelasse o segredo. Para os adultos, havia o encanto da técnica e da expressão artística, mas também a oportunidade de reencontrar personagens e profissões que fazem parte de uma memória cada vez mais distante.

Durante duas noites e uma tarde, as ruas do Centro Histórico encheram-se de gente. A segunda noite registou uma afluência particularmente forte, com milhares de visitantes a acompanhar as performances. Mas o programa foi além das estátuas.

Os Pedestais Livres e o Espaço Mini Estátuas convidaram também os mais pequenos a experimentar a sensação de estar do outro lado do espetáculo. Subir ao pedestal, escolher uma personagem, encontrar uma pose e tentar permanecer imóvel mostrou, de forma divertida, que esta arte exige muito mais do que aparenta.

No sábado à noite, o Largo de Marvila ganhou outra dinâmica com os Living Statues DJs, numa combinação de estátuas vivas, música e expressão visual. No domingo, a animação prolongou-se pelas ruas do Centro Histórico com uma arruada da Orquestra Improvável, antes da revelação dos vencedores.

O Prémio do Público foi atribuído a Vasco Peixinho, pela performance “Campino”, escolhida através da votação dos visitantes. Já o Prémio do Júri foi entregue a Guilherme Ferreira, pela interpretação de “Carpinteiro”, distinguida pela qualidade artística, criatividade, expressividade e rigor da performance.

Mais do que os prémios, ficaram três dias em que Santarém voltou a viver o verão de uma forma muito própria: com as ruas cheias, crianças à procura do próximo movimento e adultos rendidos à arte de quem consegue ficar imóvel e, ainda assim, prender tantos olhares.

Vanessa Colaço

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