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Chamusca recebeu quinta edição do festival Analógica dedicado à fotografia

 

A Chamusca recebeu, nos dias 10 e 11 de outubro, a quinta edição do Analógica – Festival de Fotografia, que reuniu cerca de 350 pessoas em torno da fotografia analógica, através de exposições, oficinas, conversas e momentos de partilha e experimentação artística.

Organizado pela Associação 1839, em parceria com o Município da Chamusca, o festival decorreu concomitantemente no Edifício de São Francisco e na Biblioteca Municipal da Chamusca, com o objetivo de divulgar a fotografia analógica, dar visibilidade ao trabalho de autores e pequenos negócios, assim como proporcionar experiências acessíveis a diferentes públicos.

O balanço da organização foi bastante positivo. Em resposta ao nosso contacto, Pedro Dante, da organização do festival, destacou a importância de alcançar a quinta edição, considerando que a continuidade do projeto demonstra que o ANALÓGICA tem vindo a conquistar o seu espaço. Como referiu, “é gratificante ver o festival a ganhar continuidade e a trazer pessoas à Chamusca”. A iniciativa pretende afirmar-se como um ponto de encontro para quem se interessa por fotografia, promovendo a descoberta de projetos, a partilha de experiências e a aprendizagem.

Ao longo dos dois dias, a programação cruzou a apresentação de trabalhos de autores com atividades práticas e experiências em torno dos processos fotográficos analógicos. Entre as propostas constaram o retrato em grande formato, a experimentação de técnicas fotográficas alternativas e a utilização de reveladores botânicos preparados a partir de plantas. O programa incluiu ainda atividades dirigidas a famílias, procurando aproximar novos públicos desta área artística.

Um dos destaques desta edição foi a exposição “CÓCLEA | Ensaio sobre a Escuta”, de Alexandre de Magalhães, inaugurada na Biblioteca Municipal da Chamusca. Distinguido na BF24 — Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, o projeto cruza fotografia, encenação e investigação, explorando a relação entre a perceção, a escuta e o mundo natural. A exposição integrou a programação do festival e permaneceu patente na biblioteca até 31 de outubro.

A iniciativa contou também com o Mercado Analógico, dedicado à circulação de livros, fotolivros, publicações, equipamento e materiais fotográficos, bem como com um espaço para a apresentação de projetos de autores. As conversas e os encontros incluídos no programa permitiram ainda abordar questões relacionadas com a edição, a publicação e a divulgação de trabalhos fotográficos.

Para Pedro Dante, a fotografia analógica não deve ser entendida como oposta à fotografia digital, uma vez que oferece uma experiência diferente, marcada pelo processo, pela experimentação e pelo contacto com a imagem física. O responsável explicou que o festival procura dar a conhecer essas possibilidades, preservar conhecimentos e criar oportunidades para que mais pessoas possam experimentar, independentemente da sua experiência prévia. Nesse sentido, sublinhou: “Não vemos a fotografia analógica e a digital como opostas.”

A organização considerou que os objetivos definidos para esta edição foram alcançados, destacando a adesão do público e a possibilidade de reunir autores, pequenos negócios e pessoas interessadas em descobrir os processos analógicos. Ao todo, cerca de 350 pessoas passaram pelo festival ao longo dos dois dias, um número que a organização recebeu com satisfação e que reforça a motivação para continuar a desenvolver o projeto.

A escolha dos espaços procurou concentrar a programação no Edifício de São Francisco, facilitando, segundo a organização, a circulação e a participação do público. A exposição de Alexandre de Magalhães constituiu a exceção, tendo sido apresentada na Biblioteca Municipal. Questionado sobre a possibilidade de realizar o festival noutros locais, como o Mercado Municipal, Pedro Dante esclareceu que essa alternativa não chegou a ser ponderada, uma vez que a opção passou por centralizar as atividades no Edifício de São Francisco. Acrescentou ainda que a acessibilidade foi considerada e que não foram identificadas questões relevantes que condicionassem a participação.

Para as próximas edições, a organização pretende manter o festival na Chamusca e reforçar a ligação ao território e à comunidade local. Entre as perspetivas estão a exploração de novas atividades e formatos, a participação de novos autores e projetos e a aproximação a públicos mais alargados, sem perder o espírito de partilha e proximidade que caracteriza a iniciativa.

A quinta edição do Analógica voltou, assim, a colocar a fotografia no centro da programação cultural da Chamusca, promovendo a criação, a experimentação e a partilha de conhecimentos em torno dos processos fotográficos analógicos.

Lígia Liberato


Agradecimentos: Restaurante Trinc’aqui na Chamusca

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