À descoberta de “Santarém Cidade Educadora”
As ruas e os edifícios de Santarém guardam histórias que nem sempre estão à vista. No passado dia 17 de outubro, cerca de 30 participantes percorreram o centro histórico numa visita guiada dedicada à relação da cidade com o ensino, integrada no mote «Regresso às Escolas: Santarém Cidade Educadora».
Conduzido pelo historiador José Raimundo Noras, o grupo descobriu antigos espaços de ensino e formação, alguns dos quais mantêm a sua vocação educativa, enquanto outros assumem hoje novas funções. O objetivo destas visitas é, precisamente, criar o hábito de descobrir a cidade com um olhar renovado. “Não se consegue amar aquilo que não se conhece”, recorda o historiador, sublinhando a importância de dar a conhecer o património, sobretudo a quem vive em Santarém.
A ideia para este percurso surgiu de uma questão levantada pelo professor Justino Magalhães: existiria em Santarém um museu dedicado às escolas, nomeadamente às de iniciativa privada, estivessem ou não ligadas à Igreja, ou a congregações religiosas? Esta reflexão levou a recuperar elementos da investigação sobre o Palácio Landal e a explorar a história de outros espaços que marcaram o percurso educativo da cidade.
Situado no Largo do Padre Chiquito, o Palácio Landal esteve ligado ao ensino feminino, numa época em que o acesso das mulheres à educação era condicionado por regras e convenções sociais. Ao longo da visita, foram também evocados outros espaços associados ao ensino e à formação, como o seminário, o liceu, o Ateneu e a Sé-Catedral, recordando o papel que diferentes instituições desempenharam na história educativa de Santarém.
Para José Raimundo Noras, a dimensão do centro histórico, que considera um dos maiores do país, justifica a diversidade dos percursos temáticos. “Tem muita oferta cultural”, afirma, e permite explorar diferentes histórias, variando os temas e dando a conhecer lugares que muitos participantes visitam com um olhar renovado.
O legado educativo e social de Luiza Andaluz
O percurso terminou com duas paragens ligadas à vida e à missão de Luiza Andaluz: a Casa Madre Luiza Andaluz, que chegou a acolher aulas, e o Convento das Capuchas, última etapa da visita. Ambos são polos dinamizadores do Luiza Andaluz Centro de Conhecimento, que mantém viva a dimensão educativa e social do legado desta figura incontornável de Santarém.
Na Casa Madre Luiza Andaluz, os participantes foram recebidos por Beatriz Triguinho, da área da Comunicação e Parcerias, e acompanhados por Andreia Pedro, que deu a conhecer a história da casa e o trabalho desenvolvido em torno deste legado.
José Raimundo Noras destacou a missão de Luiza Andaluz, que procurava dotar as mulheres de ferramentas para conquistarem autonomia. “Ensinava a conduzir”, exemplificou o historiador, recordando como a aprendizagem de competências práticas contribuía para a independência feminina, para além da educação formal.
A passagem por estes espaços estabeleceu uma ponte entre o passado e o presente, mostrando como a missão educativa e social de Luiza Andaluz continua a encontrar expressão no trabalho desenvolvido pelo Centro de Conhecimento. Para o historiador, o desafio passa por valorizar estes exemplos e reconhecer que a história não deve ficar confinada à investigação. “O turismo, sejam os turistas locais ou os visitantes, é uma forma também de transmitir o conhecimento”, defende.
O programa de visitas guiadas prossegue a 21 de novembro, com «Tens cá disto?», dedicado à história do tecido empresarial de Santarém, e a 19 de dezembro, com «O Pai Natal tem uma rua em Santarém?», sobre hagiologia e toponímia. Ambas decorrem entre as 10h00 e as 12h00, com início na Igreja de Nossa Senhora da Piedade.
Uma oportunidade para continuar a descobrir Santarém através das suas histórias e perceber que o património é também um lugar de aprendizagem.
Texto e Fotos: Vanessa Colaço



















