O Presidente da Instituição Financeira de Desenvolvimento, vulgarmente conhecido como Banco de Fomento, esteve ontem na NERSANT em Torres Novas, com o objetivo de esclarecer as empresas sobre os instrumentos financeiros que vai operar. A recapitalização das empresas é uma das prioridades desta instituição.
A Presidente da Direção da NERSANT, Maria Salomé Rafael, fez o acolhimento aos cerca de 100 empresários que estiveram na sessão, começando por dizer que “há muito que a NERSANT defende soluções paralelas de capitalização e crédito para as empresas”, pelo que recebe com grande expetativa, as propostas da Instituição de Desenvolvimento Financeiro (IFD).
Na sessão de esclarecimentos, José Fernando de Figueiredo avançou que a Instituição Financeira de Desenvolvimento “pretende encontrar soluções de capitalização para as empresas que colmatem falhas existentes no mercado, através de uma oferta mais inteligente, mais efetiva e mais eficaz para as empresas”, complementando, por isso, a oferta da banca tradicional. A ambição da IFD, complementou, “é capitalizar PME’s viáveis em setores transacionáveis ou áreas relevantes, bem como apoiar investimentos de longo de prazo”.
Nesta primeira fase, a IFD tem um curso dois projetos com interesse para as empresas e que deverão ser lançados em breve: a Linha de Capitalização Mezzanine IFD 2015, com 100 milhões €, uma solução powered by IFD, e ainda o lançamento de dois Fundos de Fundos IFD destinados a Instrumentos Financeiros co-financiados por Fundos Europeus Estruturais e de Investimento – FEEI. “O nosso objetivo é que os fundos de fundos que estamos a criar sejam lançados até ao final de agosto”, revelou o responsável pela IFD, que garantiu que a instituição “pretende colocar o dinheiro na economia até ao final do 3.º trimestre do ano”.
Foi ainda apresentada às empresas, a oferta completa que o Banco de Fomento prevê: atividade de On-Lending com entidades Multilaterais e Bancos de Desenvolvimento nacionais: Linhas de crédito obtidas “por grosso” e distribuídas às PME mediante acordos com a banca comercial e arrangement, idêntico a on lending mas fora do balanço da IFD (só depois de autorização da CE); subscrição do Fundo de Contragarantia Mútuo (FCGM), destinados a cobrir parcialmente o risco de operações das Sociedades de Garantia Mútua (SGM); Bonificação de taxa de juro/comissões de garantia em empréstimos a conceder por bancos comerciais a PME, garantidos por SGM; subscrição de Fundo para aquisição de obrigações PME e do FCGM para garantia a esses títulos, através do SNGM; subscrição de instrumentos de titularização destinados à aquisição (para voltar a financiar PME com esse dinheiro), ou à criação de portfólios de financiamentos de Bancos comerciais a PME; subscrição de Fundos Específicos de Capital de Risco, ou mesmo Fundos de Fundos, em co-investimento com agentes privados e outros, destinados a investir em PME, essencialmente nas fases de Seed Capital, Start Ups e Early Stage; Financiamentos à atividade de Business Angel, mediante a realização de co-investimentos em operações de BA ou investimento em veículos de BA, destinados a empresas inovadoras; criação de um Fundo Especial de Capital Reversível, para capitalização de PME com retornos “normais”, tentativamente em com co-investimento com o BEI/FEI, a banca e outros investidores; criação de um Fundo Especial de Private Equity para Suporte de Processos de Sucessão nas Empresas Familiares, destinado a apoiar processos de transmissão de empresas entre herdeiros e outros, em co-investimento com investidores privados; Criação de uma Linha de Investimento/Financiamento a plataformas de Equity crowdfunding, destinada a operações onde também haja intervenção de outros operadores especializados, como BA e SCR; Na vertente quase-capital, Linhas de Mezzanine Financing, Operações de financiamento com produtos Convertíveis em Capital, ou de Dívida Subordinada, Suprimentos de acionistas.
Até ao momento, a IFD já colocou no mercado a Linha PME Crescimento 2015, com 1,4 mil milhões €, em funcionamento desde março, a Linha Revitalização, com 50 milhões €, em funcionamento desde abril e a Linha Tesouraria para Empresas com Exposição Angola, com 500 milhões €, em funcionamento desde junho.
No final da sessão, todos os empresários puderam esclarecer-se em relação ao trabalho e oferta da IFD. O Presidente do Banco de Fomento ouviu atentamente os empresários, auscultando os mesmos relativamente à pertinência desta oferta. “A IFD só tem cabimento se proporcionar hipótese de instrumentos financeiros para as empresas que estejam alinhadas com as suas expetativas”, concluiu José Fernando de Figueiredo.

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