Cartaxo em Festa
A Tradição e o Coração da Feira de Todos os Santos 2025
O Cartaxo voltou a encher-se de vida entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro de 2025 com a sua secular Feira de Todos os Santos, um evento que desde 1835 marca o calendário da região e continua a ser o espelho mais fiel da alma ribatejana. O aroma das castanhas assadas misturava-se com o fumo das chouriças e o cheiro do pão acabado de cozer, enquanto as bandas filarmónicas enchiam o ar de música e o riso das crianças ecoava entre carrosséis e divertimentos. Durante quatro dias, a cidade transformou-se num retrato vivo da tradição, do convívio e da alegria popular.
Reconhecida como uma das mais antigas feiras francas do país, a Feira de Todos os Santos manteve a autenticidade que atravessa gerações, mas sem deixar de olhar para o futuro. No Pavilhão Municipal de Exposições, a ExpoCartaxo trouxe o toque moderno à celebração, reunindo mais de quarenta expositores de setores como o agroalimentar e o vinícola.
A cerimónia de abertura, na quinta-feira, dia 30 de outubro, encheu o Pavilhão de Exposições com a música da Sociedade Filarmónica Cartaxense, que deu o tom festivo a uma noite marcada pela emoção e pelo orgulho local. Foi também na abertura que o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, João Heitor, surpreendeu o público com uma novidade que fez vibrar a cidade: o programa “Domingão”, da SIC, vai marcar presença no último dia da feira, levando o Cartaxo a ser visto por todo o país. A notícia foi recebida com entusiasmo e aplausos, simbolizando o reconhecimento do valor cultural e social da Feira de Todos os Santos, um acontecimento que continua a unir a comunidade e a projetar o concelho para além das fronteiras ribatejanas.
Na sua intervenção, João Heitor destacou ainda que “estes quatro dias são de partilha, de convívio e de muita animação”, sublinhando o orgulho de ver o Cartaxo afirmar-se como ponto de encontro entre tradição e modernidade. E foi com esse espírito que a festa se espalhou pela cidade.
Pouco depois, por volta das 21 horas, a Praça das Tasquinhas tornou-se o epicentro da animação com o concerto dos RED (Rapazes Extremamente Divertidos), que contagiaram o público com a sua energia e boa disposição, abrindo em grande os quatro dias de festa. No Campo da Feira, a tradição taurina manteve-se viva com a largada de touros e vacas organizada pelo Grupo de Forcados Amadores do Cartaxo.
Nos dias seguintes, o Cartaxo foi uma celebração para todos os sentidos. O Campo da Feira encheu-se de bancas com produtos regionais, artesanato, doçarias e frutas da época, enquanto as luzes dos carrosséis iluminavam as noites frias de outono. O som das concertinas e dos ranchos folclóricos misturava-se com as conversas e gargalhadas, criando uma atmosfera de festa que parecia atravessar gerações. As famílias passeavam entre as barraquinhas, os jovens reuniam-se nas tasquinhas e as crianças corriam encantadas com a magia que só a feira consegue trazer.
A programação foi pensada para todos os públicos. Houve animação de rua, música popular e momentos dedicados aos mais pequenos, como a “Hora do Conto” e as atividades “Vem Brincar aos Forcados”, garantindo que a tradição se mantivesse viva também nas gerações futuras. As noites trouxeram a vibração da música eletrónica: na sexta-feira, 31 de outubro, Shannon Booth fez dançar o público com um set cheio de energia, e no sábado, 1 de novembro, Davilla assumiu a cabine de DJ à meia-noite e meia, prolongando a festa até de madrugada. Nesse mesmo sábado, a banda GM – Tributo aos Xutos e Pontapés, trouxe à Praça das Tasquinhas os grandes hinos do rock português, num concerto que pôs todos a cantar em coro.
A tradição taurina voltou a ocupar o centro das atenções no sábado, com a corrida de touros na Praça de Touros do Cartaxo, um dos momentos mais aguardados da feira, que juntou aficionados e curiosos numa tarde de emoção e bravura. No domingo, o encerramento fez-se em clima de festa e comunhão, com música, alegria e a presença especial do Domingão, que transformou o Cartaxo num palco de celebração nacional.
Mais do que uma feira, a Feira de Todos os Santos é uma memória viva que se renova a cada outono. É o reencontro entre gerações, o orgulho de um povo que celebra as suas raízes sem medo de abraçar o futuro. Quem por lá passou não encontrou apenas bancas e divertimentos, encontrou o coração pulsante de uma terra que vive e sente intensamente as suas tradições.
Porque no Cartaxo, cada outono é um regresso às origens, um encontro entre o que são, o que foram e o que continuarão a ser.
J.F.










