ER – O que é o CENFIM?
TC – O CENFIM é o maior centro de formação profissional protocolar do país. É um centro criado em 1985 por protocolo entre 3 entidades: o Instituto do Emprego e Formação Profissional e as Associações Patronais Sectoriais – ANEMM e a AIMMAP. O CENFIM comemorou em 2015 o seu 30º Aniversário da melhor. Ao logo destes trinta anos foi criada uma estrutura que hoje se pauta por 13 unidades espalhadas pelo país, a mais a sul em Sines junto ao pólo industrial de Sines e a unidade mais a Norte em Arcos de Valdevez. Estes trinta anos têm sido passados com um esforço e com uma dedicação extrema por parte de todo os seus colaboradores. De tal forma que hoje temos um sem número de acreditações que vão desde as normas de qualidade, de ambiente, recursos humanos e mais recentemente as normas da responsabilidade social. Estamos no mercado para servir as pessoas e servir as organizações. Hoje, neste maravilhoso mundo em que a tecnologia impera no mundo do trabalho, o importante não são as máquinas porque essas adquirem-se na prateleira do supermercado mas as pessoas fazem movimentar e transformar as sociedades, fazem evoluir os produtos e proporcionam bem estar e felicidade aos outros. Por isso necessitamos da sua valorização e qualificação. Para além destas 5 normas para as quais estamos acreditados, temos outras certificações que são muito importantes para o nosso setor metalúrgico e eletrotécnico: a da DGERT – Direcção Geral do Emprego e das Relações no Trabalho, a da Direcção Geral de Energia e de Geologia, a da Autoridade para as Condições de Trabalho – ACT um parceiro privilegiado, pois pensamos que no nosso trabalho todos devemos estar munidos com o conhecimento e as competências básicos para se saber proteger e desempenhar as tarefas atribuídas. Temos outras acreditações: a da ANQEP, a do IEFP, da Autodesk de CAD. Esta unidade, aqui de Santarém, especificamente tem a acreditação na Federação Europeia e do Instituto Internacional de Soldadura. Nós estamos aqui acreditados para poder qualificar soldadores com reconhecimento internacional capazes de poder trabalhar em qualquer parte do mundo. É a principal valência da formação dada aqui no CENFIM de Santarém. As ações de formação de soldadura são feitas em sessões contínuas, sem folgas e há momentos ao longo do ano em que temos de dar até formação ao sábado. As solicitações são tantas que não temos um momento de paragem. Trabalhamos aqui desde as 8 e meia da manhã até às 11 da noite, de 2ª a 6ª feira. É pois um sector que está em plena carga. A maior parte dos formandos que por aqui passam vão trabalhar para o estrangeiro. O défice de soldadores que existe para o mercado nacional continua a existir e continua a ser necessário o fornecimento desta mão de obra qualificada para o sector e para o mercado de trabalho.

ER – Podemos dizer que temos a nível europeu, os trabalhadores mais qualificados?
TC – Mais qualificados e mais adaptados. Aliás, os soldadores portugueses são reconhecidos internacionalmente. Na Europa, eu diria que se houvesse algum ranking para a profissão, seguramente que os soldadores portugueses estariam entre os 3 primeiros, seriam soldadores de pódio. Sabemos que os noruegueses são muito bons, os franceses também, mas os portugueses são muito bons. Nós temos uma grande capacidade para esta área do trabalho. O CENFIM tem uma coisa boa: é que não trabalha para os números, faz formação com uma visão, a da empregabilidade e aí, orgulha-se de ter uma elevadíssima taxa, não diria de 100% seguramente acima dos 90%. Todos os nossos formandos, caso assim o desejem, terão trabalho garantido. Somos um centro de formação e a nossa vertente não é o emprego, agora todas as nossas unidades e esta aqui de Santarém não é excepção, tem à sua entrada placares com informação de solicitações de empresas. Algumas não damos vazão, como o caso do projecto sediado junto à cidade de Évora de aeronáutica com a implementação da EMBRAER até 2017 vai ser necessário um número muito significativo de operadores. O CENFIM não tem capacidade para poder fornecer tantos operadores até lá, mas está a trabalhar nesse sentido. Há também aqueles que, infelizmente, estão a sair do país e a encontrar noutras paragens melhores acolhimentos nesta área. O mesmo se diz em relação aos soldadores, aos técnicos na área da manutenção, da robótica, aliás nós preservamos muito e temos como principal destaque e enfoque nos nossos jovens, possibilidade que damos aos melhores de poderem entrar nos concursos nacionais, europeus e internacionais das profissões e começamos por dentro da nossa casa promovendo essa mesma competição. E dos melhores que estão aqui dentro propomos e levamo-los aos concursos nacionais que são promovidos pelo IEFP, o SKILLS, onde temos tido as primeiras posições nas actividades do nosso sector e seguem para os mundiais. Em Agosto de 2015 houve o WorldSkills em S. Paulo e nós trouxemos 5 medalhas numa representação de 7 elementos do CENFIM dos 25 que foram a nível nacional. É um orgulho e indica que estamos no bom caminho. Estamos a formar jovens com verdadeiras e reais competências assim como as empresas que os vêm absorver.

ER – Aprendizagem de jovens não é a única modalidade de formação?

TC – Não, falei apenas numa modalidade. O que estava na génese da nossa criação em 1985 era dar qualificação aos trabalhadores que estavam no activo, dar formação contínua. Hoje, dadas as circunstâncias da nossa vivência e, infelizmente, dada a existência de um elevadíssimo nº de desempregados, as pessoas têm necessidade de se requalificar e de reverter a sua área de trabalho. Por isso estamos a fazer os chamados cursos de Educação e Formação para Adultos – os EFA’s. Para além das medidas de formação à medida para as empresas, nós temos parceiros estratégicos que são instituições de carácter politécnico e superior clássico com quem temos parcerias e que nos dão o suporte de especialização tecnológica, os cursos de nível 5 que hoje são entrada para o ensino superior. Citando alguns, a Escola Superior de Estudos e de Gestão do Instituto Politécnico do Porto, a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes através do Instituto Politécnico de Tomar, aliás esta foi das primeiras escolas com formação superior com que nós encetámos uma parceria com que nos orgulhamos e são estas instituições do saber que nos motivam para podermos continuar a nossa caminhada. Não só estas mas a Escola Superior de Tecnologia de Setúbal, a Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa, a Faculdade de Engenharia do Porto, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto Politécnico de Setúbal, o Instituto Superior de D. Dinis da Marinha Grande, o Instituto Superior Técnico, aliás devo dizer que temos um reconhecimento e um louvor de grande prestígio passado pelo Inst. Superior Técnico pelo trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo destes 30 anos em prol da formação, Universidade de Aveiro, a Universidade do Minho, a Universidade de Trás os Montes. Todos aqueles que não têm uma formação clássica de suporte técnico necessário para poder seguir as áreas de engenharia pois entram para estes cursos, o chamado ano 0, das faculdades de engenharia. E quando lá chegam já têm algumas cadeiras feitos, dados pelo suporte e pelo reconhecimento destas entidades. Isto para satisfazer um universo de empresas e de tecido produtivo em Portugal que direi, é dos mais competitivos e lucrativo do país. O nosso sector representa 20 mil empresas, 200 mil trabalhadores, 18% do PIB, o nosso sector exporta para 200 mercados diferentes, tem um valor acrescentado bruto da ordem dos 13 a 14 mil milhões de euros. E é para este sector que trabalhamos e estamos vocacionados. Setor de grande desenvolvimento económico e dada a sua verticalidade necessita de formação em várias áreas para além das que são nossa especialidade técnica e nós também aí estamos através da formação direccionada para áreas administrativas, comerciais e de gestão de apoio, de qualidade da higiene e da segurança, enfim em todos os ciclos da organização das empresas.

O ano de 2015 foi para nós concluído de forma muito positiva com 850 acções de formação, 13 mil formandos, fizemos 220 mil horas de formação e tivemos um volume de formação superior a 3 milhões de horas. Isto para estarem connosco aproximadamente 900 empresas que mandaram os seus colaboradores para formação para aqui e aos quais proporcionámos estágios. Santarém é uma das unidades, mais pequenas e que tem tido uma boa dinâmica. Os resultados globais de 2015 com 50 ações de formação, 720 formandos e fizemos 11mil horas de formação. Formação à medida, apoio técnico e organizacional, formação contínua ao nível do aperfeiçoamento, da formação para os quadros, são vertentes que aqui também temos. O apoio que prestamos às pessoas que estão em situação de perder o seu trabalho que podem fazer ciclos de formação noutras áreas e até para criação do seu próprio trabalho.

Er – Qualquer pessoa pode inscrever-se no CENFIM?
TC – Sim. Qualquer pessoa que se dirija aqui aos nossos serviços pode ter acesso à formação. Acontece que hoje, de acordo com o que está estipulado pela organização do nosso governo através dos referenciais de formação, a maior parte das ações de formação que temos são ações que começam num nível de escolaridade do 6º ano, com maior índice a partir do 9º ano. Teremos dificuldade em dar formação a pessoas com menos escolaridade. Evidente que o faremos com formação própria e à medida, não inserida no catálogo existente. Teremos sempre uma resposta adequada a cada situação. Porque nós temos uma forma de estar que se prende com uma filosofia de mercado: do levantamento periódico que fazemos das necessidades do mercado, é feito um diagnóstico (baseado em perfis), estabelecemos um enquadramento profissional, estabelecemos um plano de formação, damos a formação e avaliamos se está de acordo com o diagnóstico feito. Isto para responder ao cliente pessoa/empresa. Para que as pessoas tenham acesso à empregabilidade, à qualificação e competência para cumprir as tarefas que são exigidas. A Formação é feita através de uma pedagogia do êxito. Não é só saber fazer; isso é escasso. Tem que ter atitude, comportamento e ter querer. Trabalhamos para as pessoas e para que elas possam ser felizes. Mas para isso precisam de trabalho digno e honrado. E para o atingir, só pela competência do saber fazer, estar e ser.

Teresa Azevedo e Sousa

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