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António Ceia da Silva, Presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, ERT, esteve no dia 24,segunda-feira, com a sua comitiva numa visita ao concelho de Almeirim. A visita, inserida no programa “Conhecer para Agir”, tem como objectivo conhecer de perto a oferta turística dos concelhos, as suas mais-valias e fragilidades para, futuramente, se poderem definir estratégias eficazes de actuação.
Pedro Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Paulo Caetano, Vice-Presidente e os vereadores Eurico Henriques e Maria Emília Moreira estiveram presentes na recepção aos dirigentes e técnicos da Turismo do Alentejo e Ribatejo, no Salão Nobre, pelas 10 horas. Também Ana Ferreirinha acompanhou a visita.
Ceia da Silva falou no objectivo da visita, referindo também a criação do site e da página de Facebook e a sua importância para a divulgação do turismo neste concelho. Agradeceu a colaboração e o convite por parte da Câmara Municipal de Almeirim.
Os primeiros locais visitados foram a Galeria Municipal e o Posto de Turismo. Pedro Ribeiro refere que “o que se espera é transferir o posto de turismo para junto da restauração. Segundo os números que existem, servimos um milhão de refeições por ano e recebemos 200 mil visitas”. O presidente da Câmara salienta a importância de atrair as pessoas a visitarem o concelho de Almeirim e para isso é importante o trabalho em parceria com o Turismo do Alentejo e Ribatejo. Recorda, ainda, quando soube que Almeirim ia fazer parte do Turismo do Alentejo: “quando nos integraram em Lisboa não achámos muita piada e quando nos integraram no Alentejo menos piada achámos. A verdade é que hoje estamos muito melhor no Alentejo do que em Lisboa. O que fazem as instituições são as pessoas. A disponibilidade do presidente Ceia da Silva é grande e é isto que resolve os problemas. A nossa opinião não era favorável, mas depois de começarmos a trabalhar com vocês ficámos com outra visão”.
Seguiu-se a viagem de autocarro até à Quinta da Alorna. Telma Moura, do Departamento de Marketing da Quinta da Alorna falou sobre a Quinta e como acontecem as visitas. Estas são feitas com marcação prévia, pois não existem pessoas somente destinadas para fazerem as visitas marcadas. Terá de ser uma pessoa de outro departamento a fazê-lo, daí a necessidade da marcação prévia, de maneira a responderem às necessidades das pessoas. A Quinta da Alorna destaca-se não só pela qualidade dos vinhos que produz como também pelos seus espaços naturais. Tem uma área total de 2.800 hectares. Quanto aos vinhos da Quinta da Alorna, Telma Moura refere que “são feitos a partir de uma selecção das melhores castas e produzidos com recurso às novas tecnologias de vinificação. Existem 220 hectares de vinha que se divide entre castas como Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Arinto e Chardonnay. Os vinhos têm qualidade, excelência e competitividade que os mercados nacional e internacional, exigem.” A Quinta da Alorna vende cerca de 50% da sua produção anual no mercado interno e exporta os restantes 50% para 25 mercados, em que a Suécia é o principal mercado. Para além do vinho, Telma Moura indica que também fazem culturas de milho, batata, ervilha e cebola. Refere ainda que a Quinta da Alorna possui 1.900 hectares de floresta.
José Hipólito, enólogo, conduziu a visita pela adega. Explicou todo o processo desde que recebem a uva até à venda do vinho, falando nas principais diferenças entre o vinho branco, o tinto e o rosé. Seguiu-se a prova de vinhos.
A Quinta do Casal Branco foi o local visitado a seguir. José Lobo de Vasconcellos, proprietário da Quinta, apresentou-a aos visitantes. A propriedade tem mais de 1.100 hectares de terreno e uma tradição vitivinícola. As vinhas ocupam 140 hectares e possuem uma idade média de 30 anos beneficiam do terroir franco-arenoso, compondo-se sobretudo por típicas castas portuguesas: Fernão Pires, Castelão, Trincadeira e Touriga Nacional. Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouchet foram as castas estrangeiras recentemente introduzidas. Existe um grande reconhecimento pelos vinhos Falcoaria, Capucho, Terra de Lobos, Quinta do Casal Branco e Espumante Monge. As exportações rondam os 90%: Macau é o país para onde exportam em maior quantidade, seguindo-se China, Reino Unido, EUA e Bélgica.
O Casal Branco é um lugar onde se podem desfrutar de múltiplas experiências construídas à volta do vinho. Entre as diversas actividades de enoturismo pode-se usufruir de visitas guiadas à Adega, provas de vinhos comentadas, almoços e jantares vínicos, visitas guiadas à Vinha, à Coudelaria de Cavalos Puro Sangue Lusitano e aos jardins da Casa Lobo de Vasconcellos.
Depois da explicação de Lobo Vasconcellos, sobre a Quinta, e apesar da chuva intensa que caiu, visitaram-se as boxes dos cavalos e apresentaram alguns cavalos assim como trajes tradicionais. Chineses e indianos foram algumas da nacionalidades que já experimentaram montar a cavalo na Quinta. Seguidamente visitou-se o pombal que existe na Quinta.
Filipe Miranda, comercial na Quinta do Casal Branco, orientou a prova de vinhos que antecedeu o almoço.
Pelas 14.50h, Vasco Peixinho, responsável pela área turística da Quinta da Gafaria – Turismo Rural – fez a visita guiada. Com uma área total de quase 200 hectares dedicados ao regadio e à exploração pecuária, a Quinta integra hoje a exploração intensa da actividade agrícola e pecuária com a actividade turística.
Para além dos espaços de alojamento, podemos encontrar no interior da propriedade infra-estruturas dedicadas à prática de desportos equestres, bem como diferentes áreas de lazer, com destaque para a zona de piscina, jardim, estufa e área social.
A quinta integra um total de seis habitações unifamiliares. Estão a construir apartamentos, SPA e restaurante.
Depois da visita à Quinta da Gafaria, seguiu-se viagem até à Academia de Toureio a Cavalo Jorge d’Almeida, passando-se pelo Jardim da República e pelo Cine-Teatro. A Academia fica sediada na Quinta da Padilha, em Almeirim. Jorge d’Almeida, fundador da academia, presenteou a comitiva com uma pequena lide, juntando-se aos alunos Tiago Martins, David Gomes e Andreia Oliveira. Também os forcados estiveram presentes para uma demonstração. A Academia, fundada em 2013, destaca-se por ser a primeira do seu género no país. Finda a visita, seguiu-se para a Igreja São João Batista. Seguiu-se a passagem pelo Parque Urbano da Zona Norte, Piscinas Municipais e Salão Moinho de Vento.
A viagem prosseguiu para o Kartódromo Quinta da Conceição. Depois de conhecer um pouco o espaço, através de Rui Caetano, e da boa disposição reinar, deu-se a passagem pela Adega Cooperativa de Almeirim e pela Encherim (fábrica de enchidos, utilizados na confecção da sopa da pedra). Seguiu-se para o Hotel Novo Príncipe. Com início na actividade hoteleira em 1985, possuíam de uma pequena recepção e de 18 quartos. Já em 1995, atendendo à constante procura, edificaram 40 novos quartos e remodelaram os antigos. Depois de conhecer alguns dos quartos, seguiram-se o bar, a sala de refeições, a sala de jogos e tv, a sala de congressos e o estacionamento privativo.
O ano passado a taxa mensal de ocupação rondou os 40%, sendo que são procurados essencialmente no Verão, na época da Feira Nacional da Gastronomia e da Agricultura em Santarém, e da Feira do Cavalo na Golegã. Depois de toda a visita e do coffee break, o último local visitado foi o Museu Municipal. Com a extinsão da Casa do Povo de Almeirim, criou-se o Museu. As visitas no museu são sempre guiadas.
Ceia da Silva, quando questionado pela É Ribatejo sobre o balanço da visita, explicou que “a visita insere-se no nosso espírito de conhecer o território. Só podemos promover, actuar e intervir sob um território que possamos conhecer na plenitude. Já conhecemos 8 dos 11 concelhos: vimos com a nossa equipa de promoção e de estratégia de produto. Almeirim é um concelho interessante.
Algumas notas que se podem reter: em primeiro lugar, uma componente interessante que ficou mais ou menos estabelecida para trabalharmos no âmbito cultural e paisagístico, com as rotas das grande Quintas que aqui existem, que associam o enoturismo e a componente da actividade agrícola, e que podem ter uma variante turístico-cultural mais forte: estamos a falar da Quinta da Alorna e da Quinta do Casal Branco, que associados com outras Quintas idênticas que existem noutros concelhos poderá aqui criar um lote muito interessante; tivemos ocasião de ver uma escola de toureio, que achei muito interessante. Acho uma ideia inovadora, pode ser capitalizadora de fluxos turísticos para, nomeadamente empresas de corporate mas também de grupos específicos para o território; tivemos também ocasião de ver alguns aspectos de turismo rural, do hotel (equipamentos que existem na área do alojamento que existe no concelho) e que obviamente têm interesse que registamos e que queremos acompanhar e ajudar. Depois visitámos o kartódromo, com outros equipamentos que podem servir de animação para o turismo: vamos dar uma ajuda no sentido de que as pessoas se possam inscrever nesse âmbito. Portanto, eu diria que do ponto de vista do conhecimento do território foi muito interessante esta visita.
Há aspectos que nós estamos a trabalhar e que não têm a ver especificamente com esta visita mas tem a ver com o concelho de Almeirim. A componente do turismo equestre associando o cavalo e o touro, que é uma componente interessante. Estamos a trabalhar também para a criação de uma casa dos vinhos do Tejo aqui mesmo para Almeirim. Um outro aspecto, é o projecto de turismo náutico que para nós também é muito relevante porque queremos dar uma nova dinâmica e estruturar a oferta turística e as dinâmicas turísticas em relação ao rio Tejo, como um dos suportes muito interessantes de valorização do território e o projecto de turismo equestre e do turismo de natureza que são os dois produtos que podem conjugar-se muito bem aqui com a cidade. Para mim, um puzzle é feito com várias peças e Almeirim tem todas as condições para ser uma peça muito importante do puzzle que é esta região do Ribatejo e que queremos consolidar do ponto de vista de promoção, de sistematização de oferta e de estratégia em relação à estruturação do produto.
Um outro aspecto que quero referir é a componente da gastronomia: em Almeirim há uma força imensa. Nós vamos avançar para a criação da carta gastronómica do Ribatejo e para a certificação de um restaurante no Ribatejo mas ainda hoje falámos que há aqui em Almeirim uma confraria gastronómica, que trabalha bem e que articula bem com a Câmara Municipal e podemos trabalhar a questão da certificação da sopa da pedra. É um prato emblemático, que atrai muitos turistas, valoriza muito os restaurantes e que eventualmente poderá ser ainda mais valorizado se conseguirmos essa certificação.”
A viagem até ao Salão Nobre da Câmara Municipal fez-se pelas 18.15h, onde Pedro Ribeiro entregou alguns presentes regionais a Ceia da Silva e à sua restante equipa. O cabaz foi composto pelo Gumelo, pelo pão tradicional de Almeirim (caralhota), chouriços, um livro sobre as receitas tradicionais e um folheto. Também a Confraria ofereceu para o cabaz pastéis de Frade e Trouxas da Pedra.
vaniaclaudio@eribatejo.pt

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