Festival de Órgão de Santarém além-fronteiras
Município de Santarém quer projetar Festival de Órgão de Santarém além-fronteiras
Santarém recebe, de 20 a 29 de novembro, a 8.ª edição do FÓS – Festival de Órgão, que leva a igrejas históricas da cidade e a quatro freguesias do concelho uma programação gratuita de concertos, recitais e iniciativas de formação, com intérpretes nacionais e internacionais e a estreia mundial de uma obra do compositor João Santos.
A programação foi apresentada esta manhã, dia 30 de outubro, em conferência de imprensa, na Sala Cosmos do Museu Diocesano de Santarém, com a presença de Emanuel Campos, vice-presidente da Câmara Municipal de Santarém e responsável pelo pelouro da Cultura, do padre Ganhão, da Diocese de Santarém, de José Miguel Noras, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, e de Rui Paulo Teixeira, diretor artístico do festival.
Emanuel Campos destacou o crescimento sustentado do FÓS e a aposta do Município na afirmação internacional do festival, considerando que a evolução da iniciativa justifica o investimento realizado. O autarca sublinhou que “é um projeto que tem vindo a ganhar uma sustentabilidade tremenda de ano após ano”, salientando a qualidade da programação e o percurso de consolidação que o evento tem vindo a construir.
A internacionalização constitui, segundo o vice-presidente, um dos objetivos estratégicos do atual executivo municipal. “Queremos dar esse salto internacional para que o FÓS possa ser reconhecido além-fronteiras”, afirmou, defendendo a afirmação do festival como um projeto cultural de Santarém, de Portugal e de dimensão internacional.
A edição de 2026 reforça esta ambição, reunindo músicos nacionais e estrangeiros numa programação que cruza o órgão com outros instrumentos, formações vocais e propostas multidisciplinares, sem perder a ligação ao património histórico da cidade.
O concerto inaugural realiza-se a 20 de novembro, às 21h30, na Catedral de Santarém, e junta o acordeonista português João Barradas ao organista e compositor britânico Kit Downes. Concebido de raiz para o festival, o espetáculo cruza composição, improvisação e criação contemporânea.
Um dos momentos centrais da programação acontece a 21 de novembro, com o Free Organ Day, que convida o público a descobrir seis órgãos históricos, através de um percurso pela Catedral e pelas igrejas de Nossa Senhora de Marvila, Misericórdia, Santa Maria de Alcáçova, Nossa Senhora da Piedade e São Nicolau. A iniciativa conta com a participação de alunos e professores da Classe de Órgão do Conservatório de Música de Santarém.
Também a 21 de novembro, a Igreja da Misericórdia recebe a estreia mundial de Cantus Misericordiae – Itinerário artístico para luz e órgão, de João Santos. A obra estabelece um diálogo entre música, luz e património artístico, a partir de uma seleção de obras de arte presentes naquele espaço.
A música antiga assume igualmente um lugar de destaque, com dois concertos históricos na Capela Dourada, a 22 e 28 de novembro. O primeiro junta o violinista Félix Duarte e o organista José Davide Barros, num programa dedicado ao repertório barroco. O segundo, protagonizado pelo Bando de Surunyo, recupera música devocional associada ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, dos séculos XVI e XVII.
A dimensão internacional do festival estará em evidência a 27 de novembro, com a atuação do organista húngaro Marcell Tüzes, na Igreja da Misericórdia. Antes do concerto, o músico orienta a masterclass No Órgão Histórico, dirigida a organistas e a outros interessados na interpretação e conhecimento deste instrumento.
A formação e a descoberta musical integram também a programação de 28 de novembro, na Igreja de São Nicolau, com a conversa didática Óh! Tubos, Teclas e Música, conduzida por João Santos, seguida do recital Organalis, dedicado ao repertório ibérico dos séculos XVII e XVIII.
O festival aposta ainda na nova geração de intérpretes, através do ciclo Jovens Organistas, que apresenta David Penela, a 22 de novembro, e Luísa Correia, a 29 de novembro, na Igreja de Nossa Senhora da Piedade.
A programação estende-se para além do centro urbano com o ciclo À Volta do FÓS – A Beleza do Canto. Entre 13 e 15 de novembro, Gançaria, Abitureiras, Almoster e Arneiro das Milhariças recebem quatro recitais que cruzam voz e órgão, levando a música a diferentes localidades do concelho.
As famílias e o público infantil têm igualmente lugar nesta edição. A 29 de novembro, a Igreja de Santa Maria de Alcáçova acolhe Para Onde me Leva o Caminho, um recital encenado do projeto Cardo, que combina música, teatro e narração para dar a conhecer às crianças instrumentos como o órgão, a viola da gamba e a gaita de fole.
No último dia do festival, a Catedral de Santarém recebe, às 11h00, a Missa Dominical, com a participação da Schola Cantorum da Catedral de Santarém, dirigida por David Paccetti Correia.
A ligação entre música, literatura e memória histórica estará também presente a 28 de novembro, na Catedral, com Sermão das Exéquias do Conde de Unhão, uma adaptação do texto pregado pelo Padre António Vieira em Santarém, em 1651, apresentado pelo Veto Teatro Oficina do Círculo Cultural Scalabitano.
Promovido pela Câmara Municipal de Santarém, Diocese de Santarém e Santa Casa da Misericórdia de Santarém, o FÓS 2026 reafirma a aposta na valorização e divulgação do património organístico, na descentralização cultural e no encontro entre tradição e contemporaneidade, aproximando diferentes públicos de um património musical que continua a inspirar novas interpretações.

