Fórum dedicado à competitividade da indústria eletrometalúrgica
Santarém recebeu fórum dedicado ao futuro e competitividade da indústria eletrometalúrgica
O Fórum Empresarial da Metalurgia e Eletromecânica teve lugar esta terça-feira, no CNEMA, em Santarém, onde empresários, dirigentes associativos e representantes de entidades públicas refletiram sobre os desafios atuais da indústria, num momento marcado pela incerteza económica e pela necessidade de reforçar a competitividade.
O evento celebrou também os 65 anos da ANEME, Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas, com momentos de homenagem e até uma mensagem em vídeo deixada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
A sessão contou com a participação de Augusto Mateus, economista, professor catedrático e ex-ministro do Economia, que defendeu a necessidade de maior dinamismo empresarial, salientando que o crescimento do emprego nos próximos anos será impulsionado sobretudo pelos serviços associados à indústria e não pela indústria em si. Sublinhou também que o aumento salarial depende da capacidade de gerar mais valor acrescentado.
Na primeira mesa-redonda, dedicada aos desafios do setor, foi destacada a escassez de mão de obra especializada num universo que já conta com cerca de 240 mil trabalhadores. O CENFIM, através do diretor Manuel Grilo, sublinhou a importância da estabilidade legislativa e a necessidade de reforçar a formação técnica. A perspetiva internacional marcou várias intervenções, com referência ao reposicionamento de mercados como a China, a Índia e os Estados Unidos, e ao facto de Portugal beneficiar de condições geográficas e de reputação laboral que continuam a atrair investimento estrangeiro. O IEFP, representado por Glória Ferreira, adiantou que tem vindo a ajustar a oferta formativa às necessidades das empresas, contando já com milhares de formandos na área da eletromecânica. José Justino, Presidente do Conselho de Administração da GALUCHO, partilhou a experiência de internacionalização e as estratégias para responder à falta de recursos humanos, incluindo a aposta na robótica e a integração de trabalhadores estrangeiros, enquanto a administradora da AICEP, Philoméne Dias, destacou a capacidade de adaptação e orientação para soluções que caracterizam os profissionais portugueses, características que continuam a ser um atrativo para empresas estrangeiras se instalarem em Portugal.
O segundo painel centrou-se nos instrumentos de apoio e financiamento à competitividade. Luís Guimarães, do Banco Português de Fomento, recordou que existem vários mecanismos ao dispor das empresas, tanto nacionais como no âmbito de fundos europeu, e reforçou a importância de que os empresários preparem os seus planos de investimento com antecedência, para poderem aproveitar melhor as oportunidades de financiamento.
Juliano Ferreira, da CMVM, reforçou a importância de divulgar o mercado de capitais como alternativa de financiamento ainda pouco explorada, defendendo que há capacidade financeira disponível para projetos sólidos. A ribatejana OLITREM, na pessoa do seu administrador Armando Ferreira, partilhou a sua experiência de internacionalização e como os incentivos públicos foram determinantes para a sua expansão internacional. Nuno Gonçalves, do IAPMEI, sublinhou que a prevalência das PME, cuja dimensão pode ser um entrave à sua competitividade, pode ser compensada através de colaborações estratégicas que reforcem a produtividade.
No âmbito da celebração dos 65 anos da ANEME, foi prestada homenagem aos sócios fundadores. Seguiu-se a sessão de encerramento, onde o presidente da Câmara Municipal de Santarém reforçou a disponibilidade do concelho para acolher novos investimentos, destacando projetos privados já em curso e a importância de colaboração entre empresas e entidades públicas para acelerar processos e criar condições favoráveis ao crescimento económico.
O encontro contou ainda com uma mensagem em vídeo do Presidente da República, que reconheceu o papel fundamental do setor na resiliência económica do país ao longo das últimas décadas.
A iniciativa terminou com um almoço de networking e com as Gold Talks, espaço dedicado à partilha de ideias, parcerias e novas oportunidades para o futuro da indústria.
V.C.















