O livro que assinala os 100 anos do Grupo de Forcados Amadores de Santarém, escrito por Maria João Lopo de Carvalho, foi apresentado na passada sexta-feira, no Convento de São Francisco, em Santarém.
Após a apresentação do livro, realizou-se uma sessão solene em honra do grupo de Santarém, na qual discursaram os antigos cabos Carlos Empis, Carlos Grave, Gonçalo da Cunha Ferreira, Pedro Figueiredo Graciosa e o actual cabo Diogo Sepúlveda.
Ludgero Mendes iniciou a sessão solene, fazendo o historial dos cabos que já faleceram: António Abreu, D. Fernando de Mascarenhas, Ricardo Rhodes Sérgio e José Manuel Souto Barreiros.
Seguiram-se as intervenções dos antigos cabos que se sucederam. Carlos Empis tomou o comando do grupo em 1979. Para o antigo cabo “é um sentimento de honra ter pertencido a esta grande família que é o Grupo de Forcados de Santarém. Dos quatro cabos que me antecederam, tive o privilégio de ter convivido com três: o António Abreu, o Ricardo Rhodes Sérgio e o José Manuel Barreiros. Todos eles me transmitiram princípios fundamentais: o respeito e amizade são dos mais importantes, que tem como consequência o grande espírito de entre ajuda que existe nesta grande família. Quero realçar que os meus melhores amigos também passaram por aqui e essa é a grande dádiva. Espero que este grupo celebre muitos centenários.”
Carlos Grave, que foi cabo do grupo entre 1981 e 1996, recorda com nostalgia esses anos. “Quando entrei no grupo dei-me conta do respeito que aqui se cultivava em relação à própria instituição, tanto dos que estavam como dos que por aqui já tinham passado. Esse respeito estava aliado à admiração dos mais velhos pelos mais novos e dos mais novos pelos mais velhos. Quando entrei para cabo a minha vivência fez-se sentir mas tinha sempre de respeitar o passado. O passado era o responsável por ter vestido a jaqueta naquela hora. Em 15 que fui cabo, nunca tive de mandar ninguém «dobrar» um companheiro. «Dobrar» é quando um se magoa, o outro vai na vez dele. Só tive que autorizar. Sempre que isto aconteceu tinha pelo menos um forcado a dizer ‘Carlos, deixa-me lá ir’. Isto mostra bem a facilidade que é comandar o Grupo de Forcados Amadores de Santarém.”
Gonçalo da Cunha Ferreira comandou o grupo de 1996 a 2002. Para o antigo cabo “é uma honra pertencer a uma instituição que dura há 100 anos. Esta história é feita por todos nós que por aqui passamos e que, no meu caso particular, foi uma parte boa da minha vida e uma boa parte da minha vida. Foram muitos anos que dou por muito bem empregues porque vivi momentos fantásticos neste grupo. Tenho aqui grande parte dos meus amigos. Sinto-me agradecido à vida por me ter dado esta dádiva por ter passado por aqui. O grupo tem vida própria e por isso chegou aos 100 anos com esta pujança e com esta história fantástica de amizade, de entrega e de respeito. Agradeço ao grupo e a todos os cabos que me antecederam, aos que me seguiram e ao Diogo por nos ter trazido aqui ao centenário, seguramente o primeiro de muitos. “
Depois de Gonçalo da Cunha Ferreira, foi a vez de Pedro Figueiredo Graciosa intervir na sessão solene. Pedro Figueiredo Graciosa assumiu o desafio de comandar o grupo de 2002 a 2008. Para ele, “ser forcado no grupo de Santarém foi a concretização de um sonho. Ser cabo foi uma malandrice que me fizeram, mas uma malandrice boa. [risos] Foi uma fase da minha vida extraordinária. Foi espectacular a oportunidade que tive e os ensinamentos que fui colhendo. Com o grupo aprendi que muitas vezes é mais importante a maneira como nos levantamos do que propriamente dos tombos que levamos. É aí que os amigos são importantes não só na praça como cá fora também. Por isso é que eu dizia sempre, e continuo a dizer, «Sempre que puderem sejam muito amigos. Não percam tempo a ser só amigos».“
Diogo Sepúlveda tornou-se no 9º cabo da história do Grupo de Forcados Amadores de Santarém. Segundo o actual cabo, “Coube-me a mim a responsabilidade de chegar a este centenário. Fiz questão, desde início, de ter junto de mim os antigos cabos que estão aqui nesta mesa. Tenho a sorte e a honra de ser muito amigo de todos eles e tenho a sorte e a honra de ter bebido de muitas das suas palavras e das suas lições. Tem de ser algo muito forte que nos une, a todos, para corrermos o risco de enfrentar um toiro. É este sentimento que eu tenho e que eu tento incutir a cada um dos forcados que hoje chega ao centenário: que sejam muito amigos porque isso traduz-se em praça. É isto que me vai na alma quando entramos nesta temporada tão importante para o nosso grupo. Não é uma meta. É, sem dúvida, o início de mais 100 anos. A nossa ambição e confiança é sempre máxima. Pretendo, sempre, que caminhemos todos no mesmo sentido, de mãos dadas. «Pelo Grupo de Santarém, venha vinho! Venha!»”

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